Cinema capthanosrage

Publicado em maio 7th, 2018 | Por Bianca Bicalho

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Guerra Infinita, como dizer adeus.

Nada melhor do que aquele aviso amigo, aquele aviso pertinente, antes de você começar a ler esse post. Se você ainda não assistiu Vingadores, Guerra Infinita, leia o conteúdo por sua conta e risco, o que eu indico com todas as forças é: saia da internet e corra para o cinema mais próximo. Estão dizendo por aí que esse é o melhor filme de herói já produzido na história da humanidade, para isso é preciso ter um bom motivo. Se Guerra Infinita é ou não o melhor filme de herói? Isso eu não sei. A minha meta por aqui é tentar fazer com que aqueles que viram o filme e que tem acompanhado a Marvel durante os últimos anos se conformem com o fim de uma era e o começo de outra.

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A estréia de Vingadores, Guerra Infinita parou o mundo ocidental nessa última semana e trouxe reflexões acerca do universo cinematógrafico Marvel que pareciam ser antes impossíveis de se verificar. Muitas frustações acompanharam os fãs dessa saga que se estabeleceu e cresceu entre nós durante os últimos 10 anos. As reclamações são, muitas vezes baseadas em cima da origem dessas narrativas, que foram subtraídas de suas respectivas histórias em quadrinhos, e outras se apoiam em desencaixes de roteiro e nas fidelidades de sentido. Entretanto, é possível perceber que os quase 20 filmes (sem contar as séries) lançados chegam à uma única conclusão e resolução. Num quase perfeito encaixe, eles se complementam, trabalham em conjunto e se desenvolvem a fim de desembocar na singular função de impedir que Thanos, o nosso personagem principal em Guerra Infinita, conclua seu objetivo. Mas para além disso, demonstrar maestria em conseguir sincronizar todas essas histórias, que levaram bastante tempo nutrindo-se e criando raízes, para eclodirem num único (talvez duplo) e épico filme.

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Pelo nome do primeiro filme da saga podemos perceber a existência desse intuito. Capitão América: O primeiro vingador é lançado em 2011 e cumpre um papel decisivo dentro do universo de nos preparar para os próximos dez anos no futuro. O lançamento e ocorrência de Guerra Infinita nos possibilita entender os filmes como um projeto e não apenas como mais um filme sobre um super-herói da Marvel. A partir disso fica mais fácil compreender de como esses personagens, atrizes e atores transformaram-se em símbolos e ícones do contemporâneo. Para esse método devemos dar parabéns para a cinematografia Marvel, que em constraste com a DC, pensou e planejou muito mais seus lançamentos e cronologia.

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Em vista dessa discussão eu me permito realçar que a Marvel se destaca muito anteriormente à DC, essa que parece apenas estar tentando competir em questão da comercialização dos filmes, existindo em função da outra. Sem deixar de lembrar de que falamos sobre filmes hollywoodianos, ou seja, filmes populares que existem para alimentar o mercado. Nesse quesito, a Marvel não está (provavelmente seria impossível) livre dessa categoria, porém percebemos que em vista do cuidado, esse que é bem mais presente do que nas produções da DC, existe e é maior para com o espectador. É uma questão de criação e estabelecimento de memórias com a qual a DC não se ateve. Por isso, quando elogio os estúdios Marvel, me refiro ao trabalho que eles plantaram e estão colhendo ao longo dos anos. Super-heróis em live-action são narrativas que homenageam elementos que já existem no mundo artístico e que, ao mesmo tempo, criam novos caminhos e imagens para a materialização desses seres. Além de representarem segurança, são signos de força e realização na memória daqueles que se entrertiam com histórias em quadrinhos e que hoje, majoritariamente, se entrertem com filmes de ação.

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Dito isso e analisando a carreira de muitos dos rostos que nos acompanharam até aqui, podemos perceber que alguns estão com os dias contados. Um exemplo recente disso, é o filme Logan, onde Hugh Jackman se despede da forma mais digna possível (fazendo referência ao comentário na introdução, esse, pra mim, é o melhor filme de super-herói já feito). Os contratos não estão sendo renovados e rostos como o de Robert Downey Jr. não poderão mais representar o Homen de Ferro, assim como  Chris Evans com o Capitão América. Depois da primeira parte de Guerra Infinita podemos mais do que intuir o fim dessa era. O que quero dizer é que o tempo passa, e que, aqueles que tem nos acompanhado, uma hora serão substituídos e, aparentemente a Marvel sabe qual a melhor solução para isso. A impressão que fica com o final desse filme não é somente o desaparecimento de metade do universo, mas de que, eu você, todos nós, estamos ficando velhos. Aceitar essa condição é uma das piores partes da vida e a chegada de Thanos nos atinge dessa forma.

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Talvez seja muito mais difícil para nossa geração aceitar isso, uma vez que nunca na história do cinema efeitos visuais conseguiram ser tão emblemáticos e materializar tão bem os heróis que marcaram nossas infâncias nas páginas de uma pequena revista. Mas no futuro, milhares de rostos poderão ser os do T’Challa ou do Peter Quill e estará tudo bem com isso, da mesma forma que aceitamos os três Homens-Aranha do século XXI. Com esse fim próximo, tudo o que podemos fazer é comemorar. Aparentemente a resolução dessa trama estará nas mãos de uma única mulher. O que indica um final brilhante e marcante para a história dessa grande saga que, por enquanto, só carrega o nome de homens.

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Sobre o Autor

Historiadora da arte em formação pela Universidade Federal de São Paulo, formada em Cinema/Tv pelo Centro Audiovisual de São Bernardo, estudante de desenho pela Quanta Academia de Artes, viciada em astrologia e bolinho de chuva. @dramaticqueenya em todas as redes sociais.



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