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Publicado em março 24th, 2016 | Por Rodrigo Cirne

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Batman v Superman: A Origem da Justiça – Crítica

Ao longo dos últimos anos, tudo o que os amantes de Histórias em Quadrinhos no cinema viam, liam e ouviam era: A Marvel está dando um baile na DC Comics. Quase tudo que a Marvel fazia, dava certo nos cinemas: franquias rentáveis, personagens sólidos, atores valorizados ganhando cifras milionárias, e um universo completamente integrado entre seus principais Super Heróis.

O que fez a Warner/DC Comics nos últimos anos? Investiu pesado numa trilogia que fez enorme sucesso, que foi a trilogia The Dark Knight de Christopher Nolan e, paralelamente, frustradas tentativas de criar um novo universo de alguns Super Heróis mundialmente conhecidos, que em sua grande maioria naufragou (Lanterna Verde, Superman – O Retorno e Mulher Gato).

Tudo começou a mudar em 2013, quando o diretor Zack Snyder, em parceria com Christopher Nolan, assinaram a direção e produção de uma nova tentativa de reconstrução do mais famoso Super Herói que existe: O Homem de Aço.

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Variando entre excelentes críticas, e outras nem tanto, o filme não chegou a ser um sucesso arrebatador nas bilheterias, mas foi o suficiente para que a Warner desse sinal verde para a sua maior e mais ousada investida até hoje: Batman v Superman: A Origem da Justiça.

O Filme, anunciado na Comic Con de 2014 por si só já causou grande impacto por juntar num único filme, dois dos maiores ícones das Histórias em Quadrinhos, e quem seria o responsável por esse encontro: Novamente Zack Snyder. E é com muita alegria que, depois de muitos anos, podemos afirmar: A DC Comics acertou a mão desta vez, muito disso graças a um único componente que faltou nos anos anteriores, que nunca faltou a Marvel: Coragem.

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Foi preciso muita coragem para unir estes dois ícones numa história que fosse relevante para os padrões atuais dos filmes baseados em HQ´s, e principalmente, recomeçar a história do Cavaleiro das Trevas, apenas após 3 anos do fim de uma trilogia elogiada mundialmente.

Tudo parecia ir por água abaixo novamente, quando anunciaram como novo Batman/Bruce Wayne, o ator Ben Affleck. Muitos fizeram associações com sua interpretação no fraco Demolidor, e por isso houve até petições on line contra a contratação do ator, e mais uma vez posso afirmar: A DC Comics acertou a mão.

Ben Affleck é o melhor Batman já visto numa tela de cinema. Ele é o Batman que os leitores de HQ´s sempre quiseram ver: Ressentido, violento, amargurado. Não que as outras versões não tinham este traço (com a exceção de George Clooney que nada pode fazer no horroroso Batman e Robin), porém, Affleck consegue transformar o personagem na verdadeira encarnação do Cavaleiro das Trevas, e definitivamente, este é um filme do Batman, apesar de ser uma continuação de O Homem de Aço.

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Falando um pouco do filme, é uma continuação direta dos fatos ocorridos no final de O Homem de Aço, e se você não viu este filme, não leia o próximo parágrafo, pois ele contém alguns spoilers.

No final do filme, Superman travando a batalha final com o Genaral Zod (Michael Shannon) , destrói toda a cidade de Metropolis e acaba matando seu inimigo. Neste contexto entra Bruce Wayne, que logo na primeira cena do filme, vê seu edifício ser destruído como se fosse um simples castelo de areia.

A partir dali, o Cavaleiro das Trevas faz uma busca incessante atrás desse alienígena que tem o poder de dizimar uma raça inteira, onde sua missão é apenas uma: Destruir Superman.

Sabendo disso, entra em cena o vilão Lex Luthor, interpretado por Jesse Eisenberg. Esta nova versão de Lex Luthor talvez seja mais maquiavélica do que as anteriores. Lex é surtado ao extremo e malvado em sua essência, não se privando inclusive de matar aleatoriamente quem quer que seja, desde que seja para seu benefício próprio, que vai de encontro com o mesmo sentimento de Bruce Wayne: a destruição do Homem de Aço.

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Levando essa premissa em conta, Batman v Superman não alivia em nada para os espectadores. Literalmente veremos Batman e Superman se pegando na porrada, e a grande sacada do roteiro escrito por Chris Terrio (Argo) e David S. Goyer está nas motivações de cada personagem: Não é uma mera briga onde um não vai com a cara do outro, existe realmente um porque desta briga acontecer, e a relevância disto que gera o tal “Despertar da Justiça”.

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Para adicionar um tempero a mais no 3o ato, temos o primeiro vislumbre da grande heroína Mulher Maravilha, interpretada de forma arrebatadora por Gal Gadot (vista na franquia Velozes e Furiosos). Gal por não ter o corpo tão musculoso como estamos acostumados a ver nas HQ´s da Mulher Maravilha, foi duramente criticada quando foi escolhida para viver a guerreira amazona, e mais uma vez a DC Comics acertou. Em sua primeira encarnação na grande tela, a Mulher Maravilha encanta e acaba se tornando o elo desta pré Liga da Justiça, para combater o outro vilão do filme, já visto nos trailers anteriores: Doomsday (ou se preferirem, Apocalipse).

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Com uma carga emocional muito forte no último ato, e interpretações seguras de Jeremy Irons como o mordomo Alfred, que desta vez é realmente o parceiro de Batman, Amy Adams que traz consigo o peso de ser o amor da vida de Clark/Superman e não saber lidar com essa pressão, o restante do elenco de apoio funciona muito bem (Laurence Fishburne como Perry White e Holly Hunter como a Senadora Finch são os destaques), fazendo com que o filme não perca sua dinâmica e foco central.

Henry Cavill já está super a vontade como Superman, e o que mais chama a atenção no personagem, é que, assim como em O Homem de Aço, este Superman não é aquele bom moço que acostumamos a ver nos filmes do inesquecível Christopher Reeve. Superman ainda está aprendendo a ser um Super Herói, e muitas vezes durante as 2 horas e meia de filme, Clark entra em um dilema interno de, ter que agir da forma certa, ou ceder a violência como único recurso.

Todos esses ingredientes fazem com que Batman v Superman seja o melhor filme adaptado de HQ´s que a DC Comics ja fez. Não é possível fazer nenhum tipo de comparação com o universo criado pela Marvel, pois são focos distintos, e assistindo Batman v Superman é possível entender o porque desta afirmação.

A porta para a consolidação do universo DC nos cinemas está devidamente aberta, e, se há alguns anos a Marvel vinha nadando de braçadas, a DC conseguiu em um único filme igualar bem esta disputa, que não tem perdedores, somente os verdadeiros vencedores, os espectadores.

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Sobre o Autor

Amante de cinema, viciado em Star Wars, Friends e Alice in Chains. Nerd convicto, Analista de Sistemas por vocação, baterista por coração e emoção. Consumidor compulsivo de filmes, séries, música, games e HQ´s. Se pudesse, viveria de entretenimento (cinema e música), como ainda não posso, descarrego todo esse amor aqui no blog.



One Response to Batman v Superman: A Origem da Justiça – Crítica

  1. Gostei muito do site! parabens!

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