Cinema Shazam-01

Publicado em abril 4th, 2019 | Por Rodrigo Cirne

0

Shazam – Crítica

A DC está finalmente encontrando seu caminho

Se o leitor do Embrulha pesquisar na Internet as manchetes de 4, 5 anos atrás, em nenhum momento se falava sobre um filme solo do Ex Capitão Marvel, Shazam. Os olhos da companhia estavam voltados a criação do Universo compartilhado, da mesma forma que sua concorrente direta, e bem sucedida, Marvel, fez e ainda faz até hoje.

Com erros e acertos no decorrer dos anos, mais precisamente há 2 anos, depois do grande sucesso do filme solo da Mulher Maravilha e do mega sucesso de 2018, Aquaman, a DC resolveu deixar um pouco de lado essa tentativa de unificar todos seus heróis em um único filme, e passou a contar separadamente suas histórias de origem, e convenhamos, esta é a melhor forma de introduzir um personagem a um universo repleto de possibilidades. Mas onde Shazam se enquadra nessa nova filosofia adotada pela DC? Estratégia de Marketing? Uma boa história em mãos? Bom elenco? Um diretor competente? Talvez todas essas perguntas tenham a mesma resposta, e por isso que Shazam é uma das maiores e melhores surpresas que a DC entrega nos últimos anos.

Shazam-07

Absolutamente NADA em Shazam tem a ver com o Universo DC nos cinemas. Não é um filme que é visualmente lindo como Aquaman, que mostra o fundo do mar, como nunca antes visto. Não é um épico de guerra, como foi Mulher Maravilha. Não destrói uma cidade inteira, como aconteceu nos filmes do Superman e Batman e passa longe das temáticas sombrias. Shazam é um filme estilo Sessão da Tarde, e não se envergonha disso. É pura diversão do começo ao fim, sem grandes reviravoltas, sem diálogos mirabolantes. É uma experiência que faz o espectador sair sorrindo do cinema, e não há mal algum nisso, acreditem.

Shazam-02

O filme conta a história do jovem Billy Batson (interpretado de forma impecável por Asher Angel), que entre muitas indas e vindas, é adotado pela família Vasquez, composta pela mãe Rosa Vasquez (Marta Milans),  pelo pai Victor Vasquez (Cooper Andrews), e pelos 5 filhos adotados: Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer, um dos meninos do filme IT: A Coisa), Mary Bromfield (Grace Fulton), Eugene Choi (Ian Chen, adorável), Jovan Armand (Pedro Peña), e a adorável Faithe Herman, no papel de Darla Dudley, e aqui vai um comentário especial. É humanamente IMPOSSÍVEL não se apaixonar pela Darla.

Shazam-06

Em um momento de ajuda a um dos irmãos, Billy é chamado por um Mago (Djimon Hounsou), para que ele seja o responsável por carregar o poder de 6 Deuses do Olimpo, e proteger o mundo dos 7 Pecados Capitais. Para isto, Billy tem que dizer o nome SHAZAM (Iniciais de Grandes Figuras da Mitologia, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio), e com isso, se tornar um Super-Herói repleto de poderes, porém, com a mentalidade do garoto Billy Batson. Nesse momento, o jovem Ashler Angel, da lugar a Zachary Levi, que de forma impressionante, consegue fazer com que os espectadores acreditem que ele é um menino de 14 anos, no corpo de um homem de 30 e poucos. Qualquer semelhança com o filme “Quero ser grande”, NÃO é mera coincidência. Durante todo o processo de gravação, o diretor David F. Sandberg dizia que uma das suas inspirações para criação do personagem, seria o personagem de Tom Hanks em “Quero ser grande”. Aliás, há um easter egg que homenageia este clássico da Sessão da Tarde.

Shazam-03

O que faz de Shazam um filme único, é a simplicidade da história (e isso não significa que estou diminuindo o roteiro, muito pelo contrário), e a forma como os personagens, principalmente o núcleo infantil, interage na tela. Com certeza, o núcleo infantil é o ponto alto do filme, com destaque para o irmão/braço direito de Billy Batson, Freddy Freeman, e Darla Dudley.

Até o vilão no filme, podemos dizer que é diferente dos outros vilões do Universo DC. Mark Strong, pela segunda vez sendo um vilão da DC, interpreta Doutor Silvana, que na prática só quer apenas uma coisa: Ter os poderes de Shazam. Obcecado pela idéia de ser um Semi-Deus, desde pequeno, Silvana faz de tudo para ter os poderes do Herói adolescente. E, como vilão, Strong mais uma vez se sai muito bem. Sem facetas, sem trejeitos, ou risadas malévolas, Doutor Silvana é um sujeito mal, com expressão séria, e sabe que faz o mal. Podemos dizer que Silvana é o contra ponto de Shazam, e esta interação rende ótimas e até hilárias brigas na tela.

Shazam-04

Mas o grande acerto do filme tem nome e sobrenome: Zachary Levi. Abraçando completamente seu lado infantil, Levi encarna o personagem de uma forma tão real, que você realmente acredita que ele é um adolescente. Pra quem tem mais de 14 anos, lembre-se do que você fazia, falava, aprontava e tirava sarro. Lembrou? Agora imagine se você tivesse super poderes, e fizesse essas mesmas coisas, com estes super poderes. Zachary é tão carismático no gestual quando apronta algo, ou quando descobre um novo poder, que você se identifica com ele logo de cara. Definitivamente, Levi foi a escolha perfeita para o papel.

Com um terceiro ato digno das aventuras de HQ´s, Shazam é um entretenimento honesto, muito divertido, que não tenta reinventar os conceitos de super-heróis, muito pelo contrário, o filme até brinca com os outros heróis do Universo DC. É um filme para toda família e que faz questão de o ser assim. Tenho certeza que todos sairão do cinema, com o mesmo sentimento que o meu: @#$%&* que filme legal.

Shazam-05

Importante: Como virou um padrão nos filmes dos Heróis, temos duas cenas pós-créditos.

 

 

Tags: , , , ,


Sobre o Autor

Amante de cinema, viciado em Star Wars, Friends e Alice in Chains. Nerd convicto, Analista de Sistemas por vocação, baterista por coração e emoção. Consumidor compulsivo de filmes, séries, música, games e HQ´s. Se pudesse, viveria de entretenimento (cinema e música), como ainda não posso, descarrego todo esse amor aqui no blog.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voltar para o topo ↑