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Publicado em dezembro 16th, 2015 | Por Jerri Dias

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PREACHER – A obra-prima de Garth Ennis e Steve Dillon

Sinopse

Um força extremamente poderosa escapa do Paraíso e encarna em Jesse Custer, um pastor com um passado misterioso e sua fé abalada. Dotado agora de um poder ilimitado, Custer encontra um novo propósito divino em sua vida: encontrar Deus em pessoa sem ter que morrer para isso.

Os autores

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Os culpados: Garth Ennis e Steve Dillon.

Garth Ennis nasceu em 1970 na Irlanda do Norte e por conta de suas raízes culturais, quase sempre dá jeito de colocar um personagem irlandês em suas histórias. Começou a publicar com 20 anos na revista britânica Crisis e logo foi para a cultuada 2000 AD onde rapidamente foi designado para roteirizar a prata da casa: Juiz Dredd. E já em 1991 foi contratado para dar continuidade as aventuras macabras de John Constantine em Hellblazer. Com as portas abertas do mercado americano, passou a colaborar em outros títulos da editora e minisséries próprias. E de 1996 à 2001 criou a obra-prima Preacher. Em seguida foi chamado pela Marvel para ressuscitar O Justiceiro, o que fez com maestria e muito humor negro. Suas outras obras de destaque incluem Hitman, O Sombra, The Authority. E entre 2006 e 2012 escreveu The Boys, seu hilário manifesto contra o universo dos super-heróis. Ele sempre demonstrou seu desprezo contra pessoas de cuecas por cima das calças, mas nessa série ele leva isso às últimas consequências. Um escritor capaz de fazer o leitor gargalhar em uma página e se emocionar profundamente na seguinte prova que a cultura irlandesa continua honrando sua tradição de dar grandes autores ao mundo.

Steve Dillon nasceu em 1962 na Inglaterra e já no colégio se deu conta de que tinha potencial para ser um artista de quadrinhos. Precoce, com 16 anos já estava publicando profissionalmente para a filial britânica da Marvel. Sua parceria com Ennis começou já na 2000 AD e se estende há mais de 20 anos. Dono de um estilo único e tipicamente europeu, Dillon domina a narrativa da arte sequencial como poucos. Além dos diversos trabalhos com Ennis, foi o responsável pela mini-cult Skreemer e ilustrou diversos títulos da Marvel e DC.

Os Quadrinhos

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Não é por acaso que Preacher começa no Texas. Toda a obra está imersa na atmosfera do gênero Western.

O cineasta Kevin Smith, apesar de ser um diretor limitado, é um grande conhecedor e apreciador de quadrinhos e sobre Preacher, ele disse que era “Mais divertido do que ver filmes.” E ele estava certo.

A princípio, Preacher teria tudo para dar errado ao juntar um pastor com um passado violento, uma ex-namorada com pavio curto, um vampiro irlandês, uma família de psicopatas, um pistoleiro imortal, uma seita que mantém um segredo milenar, anjos, demônios e até o próprio Deus. Por incrível que pareça, não só dá tudo certo como a dupla consegue criar uma das sagas mais bem elaboradas e complexas desde Watchmen e Sandman. Mas com personagens mais carismáticos e muito humor negro.

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Jesse Custer é um pastor que não leva desaforo para casa.

Com personagens com uma personalidade rica e aprofundados com inteligência e sensibilidade ao longo de 5 anos, Ennis e Dillon conseguiram algo raro nos quadrinhos adultos, fazer o leitor adulto realmente se importar com os desdobramentos narrativos e psicológicos das atitudes dos protagonistas e de outros personagens. E as constantes reviravoltas, subtramas e personagens coadjuvantes divertidíssimos que vão surgindo fazem com que o leitor deseje que a aventura nunca acabe.

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Abandonada pelo seu ex-namorado, Tulipa tenta a sorte como assassina profissional. Mas é uma vida meio complicada.

E porque Preacher é uma obra tão aclamada? Porque além de ter uma história extremamente criativa e divertida, ela fala a todas as pessoas que um dia tiveram que lutar contra grandes adversidades, viveram uma grande paixão, sofreram por amor, forjaram grandes amizades, procuraram por redenção pelos seus atos e simplesmente batalharam pelos seus sonhos. Mesmo que esses sonhos sejam poder dominar o mundo, mandar Deus se foder ou virar um cowboy.

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Cassidy é aquele vampiro simpático que você sempre quis ter como parceria para um boteco.

Para finalizar, a saga de Preacher contém 66 edições mais 6 especiais. Juntando, dá 666, o número da Besta. Se você leu e é crente ou sofre de delírios paranóicos de conspiração, você garantiu sua alma ao diabo e aos Illuminati por ler esta obra herege. Se não for, vai se sentir simplesmente abençoado por ter lido uma a mais fantástica saga publicada nos anos 1990.

A série

Depois de passar por quatro tentativas em 15 anos de ser produzida como série e filme e todas esbarrarem em problemas de orçamento e polêmicas religiosas – até a HBO deu para trás – o canal AMC resolveu arriscar e teremos 10 episódios de Preacher no ano que vem. Se a série for boa e manter uma boa audiência, ela segue adiante. Como sempre, tem quem goste e não goste do pessoal envolvido e principalmente das mudanças e acréscimos de personagens que não existiam na obra original. Eu particularmente gosto do trio de atores escolhidos e do fotógrafo Bill Pope (trilogia Matrix) e só espero que chamem bons roteiristas e diretores para manter a essência dos quadrinhos na tela. E que não se acovardem com as polêmicas religiosas.

Onde encontrar

Glenn Fabry foi o ilustrador de todas as capas das edições avulsas e encadernadas.

Preacher já foi publicado em edições avulsas, almanaques e encadernados. Mas só nessa última versão você o encontra completo. Das sete editoras que tentaram publicar a saga desde 1997 no Brasil, apenas a Panini foi bem sucedida. Mas alguns dos volumes encontram-se esgotados e você só os encontra em sebos e na internet. Se você se importa mais com o conteúdo do que com o formato da sua coleção, pode comprar sem medo os volumes encadernados por editoras diferentes, pois eles estão de acordo com a cronologia. Mas com a estreia da série de TV em 2016, oremos por um relançamento.


Sobre o Autor

Jerri Dias - Já quis ser astronauta, jornalista, paleontólogo, atleta olímpico e ditador supremo. Como não conseguiu, foi ser escritor, roteirista, diretor e produtor para poder ter a ilusão de controle sobre tudo e todos. Quando não está trabalhando em projetos ligados ao gênero fantástico, está desenvolvendo projetos ligados ao gênero fantástico.



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