Cinema BryanSinger

Publicado em março 9th, 2016 | Por Jerri Dias

0

Dossiê Bryan Singer: O diretor mutante – Parte I

Com a estreia próxima do sexto longa da equipe de Charles Xavier, nada mais justo do que falar do verdadeiro cérebro por trás do sucesso da franquia mutante. Nessa série de artigos, me concentrarei na sua relação com o gênero fantástico.

Nascido em New York em 1965, Singer foi adotado por uma família judaica. Seu pai era um executivo e sua mãe uma ativista ambiental. Seus primos, Lori e Marc Singer, foram atores que tiveram seus 15 minutos de fama na TV e cinema nos anos 80. Talvez por influência deles ele tenha entrado na faculdade de cinema.

Seus primeiros 12 anos de atividade cinematográfica sugeriam um diretor interessado em thrillers envolvendo suspense, crime e mistério até que executivos da 20th Century Fox assistiram Os Suspeitos (uma multipremiada pequena obra-prima do suspense) e o convidaram para dirigir um filme sobre um certo grupo de mutantes. Singer, apesar de ser fã confesso da séries e filmes das franquias Star Trek, Battlestar Galactica e Superman, nunca havia lido nada dos X-Men e tinha uma opinião preconceituosa contra quadrinhos. Basicamente os achava infantis. E foi dirigir O Aprendiz (1998) com Ian Mckellen.

816dbc_2fd42e6f26a046fb8ee672080cbbd7ff

Singer e sua preocupação estética em realizar um filme digno de super-heróis.

Mas para sorte nossa, havia um simpatizante de mutantes na produtora de Singer, seu amigo e sócio Tom DeSanto. Ele pediu para Singer reconsiderar e o convenceu a ler os quadrinhos. Singer leu e foi fisgado pela questão dos direitos humanos (ou mutantes), perseguição às minorias e alienação social que sempre fizeram parte da mitologia dos personagens. Quando foram criados, os X-Men eram uma analogia ao racismo e movimento de orgulho negro nos EUA, com Xavier sendo uma referência ao pacifista Martin Luher King e Magneto à Malcolm X, o não tão pacífico líder negro separatista. Bissexual assumido, Singer viu em X-Men (2000) uma oportunidade de falar sobre a questão da homossexualidade e homofobia de forma sutil e elegante. E sem muita gente perceber.

Com o estrondoso sucesso do filme e ainda com muita história boa para contar, a continuação veio em seguida e em 2003, Singer aprofundava os personagens em uma história muito mais interessante e empolgante do que a primeira. A analogia a homossexualidade continua fazendo parte da trama e fica bem evidente quando Bobby Drake “sai do armário” e conta aos pais que é um mutante e a mãe pergunta “Mas você já tentou não ser mutante?” Apesar de muitos fãs recusarem essa leitura, vale lembrar que Ian Mckellen, o Magneto, é um ativista LGBT e essa foi uma das razões que o motivaram a entrar no filme.

still-of-bryan-singer,-ian-mckellen-and-aaron-stanford-in-x-men-2-(2003)-large-picture

Magneto seduz Pyro para suas fileiras sob a batuta de Singer.

A partir de X-Men, Singer pegou o gosto de trabalhar com ficção científica e em 2005 produziu a interessante minissérie O Triâgulo, com Eric Stoltz e Catherine Bell envolvidos com o famoso mistério do Triângulo da Bermudas.

E com o gancho deixado em X-Men 2 e uma ótima bilheteria, Singer estava pronto para voltar para X-Men 3 (2006) quando a Warner Bros entrou em contato oferecendo nada mais nada menos que Superman – O Retorno para ele. Fã dos filmes de Richard Donner, Singer tomou a difícil e polêmica decisão de abandonar a franquia mutante para abraçar a franquia kryptoniana. X-Men 3, como sabemos, continuou falando de homossexualidade (cura mutante/cura gay), mas nas mãos de um diretor insípido como Brett Ratner (A Hora do Rush), tudo ficou mal construído: o roteiro, os personagens, os diálogos. E enquanto isso Singer dirigia um filme que foi um tributo ao primeiro Superman – O Filme (1978). Com muitos pontos em comum na estrutura do roteiro, o filme é quase um upgrade do filme de Donner: algo como Superman – O Filme 2.0. Fiz uma análise mais extensa do filme aqui. Apesar de ter deixado os fãs da Marvel na mão dessa vez, Singer conseguiu fazer algo que parecia ser impossível, fez um excelente drama de ação de 270 milhões de dólares. E coloco ênfase em drama, pois o último sobrevivente de Krypton dificilmente terá uma chance tão boa de ter sua personalidade e seus conflitos tão bem explorados no cinema novamente.

SD-12386

Nos bastidores de Superman – O Retorno, com Brandon Routh e Kevin Spacey.

Continua…

Tags: , , , , , ,


Sobre o Autor

Jerri Dias - Já quis ser astronauta, jornalista, paleontólogo, atleta olímpico e ditador supremo. Como não conseguiu, foi ser escritor, roteirista, diretor e produtor para poder ter a ilusão de controle sobre tudo e todos. Quando não está trabalhando em projetos ligados ao gênero fantástico, está desenvolvendo projetos ligados ao gênero fantástico.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Voltar para o topo ↑