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Publicado em janeiro 18th, 2017 | Por Maike

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Desventuras em Série | Crítica

Uma coisa que sabemos antes mesmo das produções originais Netflix saírem é que ao menos a qualidade visual é ótima. A história porém, depende muito da produção, atuação, e etc. Mas eles não costumam errar a mão. Geralmente. Séries como The OA, por mais confusa que tenha sido, tinha uma excelente produção visual, da mesma forma que o filme original Spectral também tem uma qualidade inegável. Mas, só qualidade visual não garante que o público vai gostar ou que a história seja boa.

Essa semana, uma das produções mais comentadas nas redes sociais (ou pelo menos na minha), era a tal Desventuras em Série. Eu não me lembro muito bem do filme produzido em 2004 estrelado por Jim Carrey, era muito novo na época e não conseguia prestar atenção nas coisas. Mas pesquisei um pouco sobre os livros antes de fazer a crítica.

Desventuras em série possui uma sequência de 13 livros que foram produzidos entre 1999 e 2006. A primeira temporada no Netflix adaptou os 3 primeiros livros. Uma segunda temporada já foi garantida, e provavelmente adaptará os próximos 4 livros, já que terá 10 episódios em vez de 8 como foi nessa primeira.

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Klaus, Violet e Sunny são crianças que ficaram órfãs após um suposto incêndio misterioso. Com a morte de seus pais, a herança deixada só poderia ser movimentada quando a mais velha, Violet, fizesse 18 anos. Até lá, eles teriam que ficar com um novo tutor legal. O problema é que o primeiro tutor (que também é o vilão principal) chamado Conde Olaf (Neil Patrick Harris) quer colocar as mãos no dinheiro da família.

Conde Olaf não tem nada de Conde. Ele é um vilão paspalhão, atrapalhado, e canastrão. A atuação de Neil é paspalhona, atrapalhada e canastrona, da forma que pede o personagem. Conde Olaf não é aquele tipo de vilão por quem você consegue simpatizar, mas também não é o cara que te coloca medo. Ele apenas incomoda, e muito as três crianças.

E por falar em crianças, elas são muitas vezes bem mais racionais que os adultos. Uma das coisas mais interessantes é que eles tem muita atitude, mesmo para a pequena idade. Quando pensam que estão em perigo, não pensam duas vezes em fugir, e em momento algum eles brigam. Os três são muito unidos e se protegem, porque sabem que os únicos com quem podem contar são eles mesmos. Isso ajudou a criar empatia por eles.

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Outra coisa que é muito comum acontecer é os adultos não ouvirem o que os pequenos tem a dizer. Quando Conde Olaf se disfarçava com exagerado mal gosto, para os órfãos era fácil distingui-lo, mas para os outros adultos não. E quando tentavam avisar os mais velhos, não eram ouvidos. Isso faz uma alusão interessante a nossa realidade. As crianças muitas vezes se sentem como se não pudessem ser ouvidas, e costumeiramente subestimamos o potencial delas. Talvez seja a hora de começar a ouvir mais. O roteiro trabalhou bem desenvolvendo um ponto de vista dos três pequenos.

Mas nem tudo são flores. Desventuras em Série tem alguns problemas e eu espero que você leitor desse Post não me odeie pelos comentários que farei.

O problema maior de Desventuras em Série é o ritmo. Ela sofre do mesmo problema que The OA. No início, somos apresentados aos personagens e conhecemos suas características. Era necessário ser um pouco mais lento, mas o tempo passa e o ritmo continua devagar. Não estou dizendo que o roteiro é ruim. Ele não é. Mas a falta de cliffhangers (gancho para o próximo episódio) pode ter pesado um pouco.

Maratonei a primeira temporada de uma vez, mas foi com um pouco de esforço. A atuação de Neil, por mais que seja de acordo com o que o personagem pedia, não fez com que simpatizássemos e nem odiássemos Conde Olaf. O público alvo de Desventuras em Série segue sendo uma incógnita pra mim. Hora a série era exagerada, com o jeito extravagante do vilão principal e as loucuras de seus capangas, hora era pesada demais, tratando de assuntos profundos como abusos, trabalho infantil, suicídio, dentre outros.

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Essa oscilação entre infantil demais e pesado demais me fez pensar em quem exatamente os produtores tinham em mente ao produzir a série. Outro probleminha que eu quero destacar aqui foi a forma arriscadíssima em que produziram o casamento entre Violet e o Cond Olaf. Conde descobre que uma forma de conseguir o dinheiro dos órfãos é se casando com a pessoa que teria acesso ao dinheiro, Violet. Então ele decide criar uma cena na sua peça de teatro onde simularia um casamento, mas ele teria validade legal.

Isso poderia ter sido muito engraçado, não fosse o fato de ele ter uma fala a respeito da noite de núpcias em que dizia poder fazer o que quisesse e a forma estranha como ele toca no ombro da menina. Veja bem, em momento algum eu disse aqui que inseriram um Conde Olaf pedófilo na história. O que estou dizendo é que precisa se tomar muito cuidado com a forma que cenas assim são inseridas na narrativa, porque pode incomodar muitas pessoas e dar uma impressão errada sobre o personagem.

Mas deixando os erros e acertos de Desventuras em série de lado, os efeitos visuais e a qualidade da filmagem e fotografia são excelentes, como toda produção do Netflix é. As roupas e maquiagens dos personagens também ajudam e muito a construir o tom da narrativa.

Se você gosta de fazer maratona, curte séries que mantém um ritmo mais acelerado, e que prendam do começo ao fim, Desventuras em série pode se tornar enfadonho. Mas se você assiste a episódios de forma esporádica, talvez o ritmo um pouco mais devagar não te incomode.

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Sobre o Autor

Estudante de Pedagogia por amor as Crianças, escritor por Amor as Letras, viciado em Filmes, Séries, Livros, e Animes. Sonha com o momento em que o dia terá 72 horas para colocar tudo em dia.



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