Seriados 13-Reasons-Why-

Publicado em abril 11th, 2017 | Por Natália Caçaca

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13 reasons why – e seus gatilhos

13 Reasons tem um grande potencial em disparar gatilhos, pois quando se trata de depressão e suicídio, existem diversos modos de reação sobre esse tema, nem todo mundo consegue ligar para o 141.

13 reasons why

Comecei a ver a nova serie do Netflix, “Os 13 porquês” sobre uma adolescente que se suicida e deixa treze fitas contando as razões e os caminhos que a levaram ao suicídio.
Não escrevi aqui no blog assim que terminei porque estava tentando digerir minha total decepção e, ainda estava em estado de expectativa vs. realidade.
Tentei encontrar alguma maneira bem simples de resumir o que foi a serie pra mim, então resolvi dividir essa critica em três partes: expectativa inicial, expectativa final e realidade, ou seja, criei duas vezes expectativas em torno da série, como toda pessoa que gosta de debater sobre assuntos que precisam ser discutidos, eu assisti ate o final com a esperança que me mostrassem que, nada é aquilo que eu imagino. Que o debate seria intenso.

A série se inicia em torno de Hannah Baker (Katherine Langford), que sofre constantemente bullying em sua escola, porque não basta ser adolescente, parece que nos EUA todo o ambiente colegial é na verdade um incentivo ao bullying com direito a todos os clichês padrões que divide o cenário em: os garotos do time da escola que são os mais populares, as lideres de torcidas, os nerds, e os que não estão nem ai pra esse bando de adolescente idiota, ou seja, os que são chamados de esquisito.
Minha expectativa inicial começou assistindo Clay Jensen (Dylan Minnette) querendo e não querendo ouvir as fitas nos 10 primeiros episódios, não sabendo se aguentava ou não, e perguntando TODA HORA o que tinha nas fitas (Serio Clay? a menina ficou horas e dias gravando a fita onde ela explica tudo, para de perguntar e escuta logo – aposto que todo mundo pensou) eu achei que os roteiristas não iriam ser tão repetitivos assim, tanto porque, olha o tema da serie né? E como eu disse, eu sempre tenho esperança que o debate será sério. Mas não, essa foi a primeira decepção com o roteiro, eles enrolaram para desenvolver a trama em torno de Clay – que alias, eu achei que era o principal da série e que toda aquela chateação de, ouve ou não ouve as fitas? é ou não é? ele ta na fita ou não esta? O que ele fez? Que eu pensei que iríamos chegar em um universo aonde, na verdade, o Clay que estava com sérios problemas de perseguição. Mas não, era só o show business fazendo o que faz de melhor, prender a atenção e fazer com que você pense que aquele show que eles mostraram era relevante, e sinceramente, a série não precisava disso.

Voltando as fitas, Hannah explica o que cada um fez com ela, como aqueles que ela achava que eram seus amigos a magoaram e não fizeram nada para evitar que ela se suicidasse, aviso do gatilho: Suicídio, estupro, perseguição e lesão psicológica. Ai vem a minha expectativa final: vão mostrar o quanto isso é danoso à saúde física e mental, ainda mais na fase da adolescência…não, não aconteceu e daí em diante eu já não duvidava mais da preguiça dos roteiristas.
Hannah praticamente culpou a todos pela sua precoce morte, decidida por ela. Entendemos que suicídio é muito mais complexo do que aquilo que a trama quis mostrar, quase todos, indiretamente tiveram culpa por maltratar ela e de todas as vezes que a objetificam, porém em algumas partes ficaram sem lógica, e de repente se transformou em uma caça as bruxas, quando ela começa a falar dos erros e defeitos pessoais de cada pessoa e de coisas que diretamente não tem a ver com ela (como no caso da placa quebrada e da família perfeita de courtney) eu sei que tudo isso faz parte de um enredo para mostrar o quanto a protagonista estava sofrendo, porém o Clay tentar se vingar com as próprias mãos, como tirar uma foto do menino nu, foi à mesma coisa de devolver um soco com um tapa, para uma série que fala sobre bullying ficou totalmente incoerente, e teve outras incoerências também, como Tony (Navarro) levando o Clay para o alto de um precipício para ver a reação dele sobre uma das fitas, um lugar “ótimo” pra se levar alguém que já esta perturbado.

Clay Jensen e Hannah Baker

Clay Jensen e Hannah Baker

A realidade é que não é uma série para adolescente e muito menos para pessoas propensas ao suicídio, pois acredito que o maior erro (gravíssimo) da serie, foi não mostrar ao publico que pode haver uma salvação, ao invés disso a única coisa que falavam o tempo todo era “o suicídio não é a solução”, “Não cometa suicídio”, “Não fazer com que pessoas se suicidem” (isso é uma das falas dos personagens).
Em nenhum momento a série mostrou uma alternativa, uma “luz no fim do túnel” uma saída nem que seja estratégica para as dores de ser um ser humano que sofre com problemas causados pelo bullying e a violência contra mulheres e adolescentes.
Somos feitos de exemplos, da mesma forma que através da ótima campanha de publicidade fizeram crescer as ligações para CVV – centro de valorização a vida, também houve casos de suicídio onde constataram que as ultimas coisas postadas em rede social foi sobre a série, ou seja, 13 Reasons tem um grande potencial em disparar gatilhos, pois quando se trata de depressão e suicídio, existem diversos modos de reação sobre esse tema, e é nisso que os produtores deveriam se preocupar, nem todo mundo consegue ligar para o 141.
Seria lindo se todos só levassem em consideração a “mensagem” de se colocar no lugar um do outro e se solidarizar ao tema e pessoas, é preciso entender que haverá outros que não vão conseguir enxergar assim, que não terão forças e que até podem se encorajar a fazer o mesmo por não encontrar solução.

Sinceramente, eu vi uma série tentando romantizar e brincar com relatos de abuso em fitas (como descobrir que o Clay não precisava estar nas fitas mas tinha que ouvir e não deixar nada para os país – que foi a parte mais atingida e sincera na série) e tratar o suicídio de uma forma totalmente irresponsável, 13 reasons why, tentou falar sobre tudo, mas não conseguiu falar sobre nada ao mesmo tempo e ainda abriu uma porta para a vingança e o justiçamento,

Dicas pessoais de filmes que retratam de forma sensível esses assuntos: As Virgens Suicidas e As Vantagens de ser invisível 

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Sobre o Autor

Ariana, formada em ciências contábeis, mas se imagina Jornalista, Escritora ou Professora, para moldar mentes. Se apaixonou por cinema aos 6 anos quando sua tia a fez assistir por 6 horas, durante todos os dias das suas férias, clássicos dos anos 40/50, até chegar nas séries, onde aprendeu muito do que sabe. Tem convicção de que no fim dos tempos haverá um ataque zumbi, e por conta disso já sabe usar espada.



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