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Publicado em dezembro 19th, 2016 | Por Maike

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3% ORIGINAL NETFLIX – Primeira série brasileira foi capaz de convencer o público?

Com o avanço da sua dominação mundial, o Streaming Netflix começou a sair da sua zona de conforto e está investido em produções fora de casa. A primeira produção brasileira original Netflix é a série 3%, que está disponível na plataforma desde 25 de Novembro de 2016. Muita expectativa foi colocada em cima dela, com um elenco desconhecido do grande público. Eu mesmo só me recordo de ter visto trabalhos de dois atores, que no caso são os protagonistas. Mas será que a série conseguiu convencer os brasileiros?

A primeira temporada possui oito episódios fechados. Uma segunda temporada já foi confirmada, mas ainda sem data definida para estreia. A história foi adaptada de uma web série do Youtube de mesmo nome, que chamou atenção após os seus três episódios originais que ainda estão disponíveis lá. O criador do enredo é Pedro Aguilera, que também participou da produção de filmes como Copa de Elite e Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou devido o sucesso que conseguiu com a web série.

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Sinopse: “Num futuro próximo, onde a sociedade é dividida entre duas castas, a única possibilidade dos membros da classe pobre passarem a fazer parte da elite é através de um processo seletivo, onde os jovens ao completarem 20 anos terão suas habilidades testadas. Enquanto isso, um grupo de rebeldes começa a se formar, e a elite se vê prestes a presenciar uma revolução. O problema é que um dos rebeldes está infiltrado no meio do processo, e tudo pode ir por água abaixo”.

A sinopse chama muito atenção, principalmente pela onda de filmes e livros distópicos que tanto são produzidos hoje em dia. E chama mais atenção ainda por ser uma série brasileira, que teve distribuição mundial! Por conta de todo esse holofote em cima da série, os atores sentiram a responsabilidade pesada que estava em suas costas, e isso teve um custo em suas atuações.

A maior parte das críticas e reclamações de quem assistiu a 3% foi em relação a atuação. Os protagonistas se esforçam, mas a química entre o casal principal Michele e Fernando, interpretado respectivamente por Bianca Comparato e Michel Gomes, é muito fraca, e algumas vezes eu me esquecia de que eles estavam fazendo par romântico na história. Se eles estivessem apenas participando do processo juntos, e talvez como amigos, não mudaria em nada o percurso do enredo.

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Fora a atuação, outra coisa que pode deixar os telespectadores confusos são as escolhas do roteiro. O desenvolvimento do casal principal é rápido demais e sem construção. Fernando é uma pessoa que acredita no processo, e crê que os testes são normais para se escolher apenas os melhores. Já Michele, pensa o oposto dele, e nutre uma raiva muito grande dos idealizadores do processo, por acreditar que eles foram os responsáveis pela morte do seu irmão. Pra quem sugeriu mudanças em uma das provas do processo, a fim de verificar o grau de determinação dos candidatos, Fernando faz uma escolha muito idiota movido por um amor por alguém que ele acabou de conhecer.

Mesmo com a maior parte do elenco tendo dificuldade para encontrar o tom certo, alguns atores brilharam mais que outros. Destaque para os personagens Rafael e Joana, interpretados por Rodolfo Valente e Veneza Oliveira que roubaram a cena. Foram os únicos atores que encontraram o timing certo, convencendo com seus papéis e dando profundidade a eles. São personagens que andam numa linha tênue entre “bem e mal”, fazendo o que acham necessário para chegar ao “lado de lá”.

Fora a atuação que deixou um pouco a desejar, a produção de 3% se compara a de séries americanas. O Netflix investiu na série, e embora não tenha sido revelado o valor exato, não foi pouco dinheiro. O salário dos atores não deve ter custado muito, considerando que o elenco é novo. Mas o ambiente onde a história se passa foi montado exclusivamente para isso, os personagens são bem caracterizados, os efeitos especiais são bons e tanto o trabalho técnico de fotografia quanto o jogo de luzes e ambientação são impressionantes. Mas nem isso foi o suficiente para salvar a série das críticas que tem recebido.

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3% tenta fazer uma crítica social, onde a maioria das pessoas precisa batalhar muito para ter pouco, e poucos são aqueles que possuem muito. A elite privilegiada tem regalias que aqueles que vivem a margem da pobreza nunca experimentaram, como comida de qualidade e tratamento médico especializado.

Para isso, a série se baseia nos moldes de obras que já trabalharam essa questão de “sair da zona de conforto”, como Jogos Vorazes, Divergente e Maze Runner o que não pode ser considerado uma falta de originalidade. 3% terá uma distribuição mundial, e sendo a primeira série brasileira a chegar ao exterior, usar um modelo que está fazendo sucesso lá fora pode ser uma excelente oportunidade para atrair um grande público e mais investidores à produções nacionais que carecem de qualidade e diversidade. A era das Novelas pode estar chegando ao fim.

Baixando um pouco as expectativas, 3% pode ser uma série mediana, e por ter poucos episódios, é uma opção para aqueles que gostam de assistir a séries inteiras de uma vez, as famosas “Maratonas”. Desde que não seja levada muito a sério, a série pode ser um bom entretenimento. Antes de se deixar levar pelas críticas, confira você mesmo alguns episódios; pode acabar gostando mais do que eu. Prepare a pipoca e as almofadas, e… caso você não goste de 3%, o Netflix tem um catálogo cheio de outras opções para seu domingo preguiçoso…

Boa maratona pra você!

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Sobre o Autor

Estudante de Pedagogia por amor as Crianças, escritor por Amor as Letras, viciado em Filmes, Séries, Livros, e Animes. Sonha com o momento em que o dia terá 72 horas para colocar tudo em dia.



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