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Publicado em maio 2nd, 2016 | Por Marcio R. Castro

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A risada insana ressurge: como teria sido?

Logo em seu segundo longa-metragem, o cineasta Christopher Nolan chamou minha atenção. Aliás, de quase todo mundo. “Amnésia” é um filme instigante do começo ao fim, em que se percebe a mão do diretor – e roteirista – a cada corte.

Se “Insônia” não é lá essas coisas, apesar de estar longe de ser ruim, “O Grande Truque” volta a impressionar. E tanto “A Origem” quanto “Interestelar” não são nada menos que extraordinários. Resumindo, sou um baita fã do cara!

Mas não pensem que pirei de vez e resolvi deixar fora da conversa a trilogia do morcego, simplesmente a melhor visão do universo dos heróis de HQ que já vi chegar às telonas. No momento em que temos um novo Batman em cena – Ben Affleck sendo elogiado, quem diria – e que outra versão de seu arqui-inimigo está saindo do forno com “Esquadrão Suicida”, uma questão antiga sobre o nolanverse volta a me atormentar:

Afinal, Nolan, qual seria o papel do Coringa no último capítulo da saga?

Tenho certeza de que seria ele, e não o Espantalho, a presidir o tribunal do crime que condenava à morte ou ao exílio. Uma corte absurda, nonsense e demente como aquela parece ter sido desenhada sob medida para o agente do caos.

Porém, um dos maiores vilões já construídos por um ator para o cinema – porra, Heath Ledger, overdose?! – não ficaria restrito somente a uma ponta no desfecho glorioso do cânone.

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Minha curiosidade se torna ainda maior por que imagino que teria sido uma tarefa difícil para os próprios idealizadores. Mesmo que os três filmes funcionem perfeitamente em conjunto, pois são costurados com maestria tanto pela questão central da obra, o medo, quanto pelos estágios percorridos por Bruce Wayne em sua jornada, em certa medida a trilogia é na verdade uma “bilogia” com um episódio pra lá de especial no meio.

Explico: “Begins” e “Ressurge” têm um mesmo fio condutor (Ra’s al Ghul, Liga das Sombras, destruição de Gotham), “Cavaleiro das Trevas” não. Como o palhaço seria encaixado no arco que une as duas pontas? Como faria parte dos planos de Talia al Ghul? Como conciliar o controle destruidor de Bane com a anarquia insana do Coringa?

Infelizmente, mesmo que um dia encontre Nolan por aí e arranque dele uma resposta convincente, nunca veremos essa versão do diretor em uma edição comemorativa. Copiando um recurso narrativo usado em exagero pelo cineasta em “Batman Begins” (sou fã, mas também corneto), encerro com algo que utilizei em outro momento do texto, reforçando minha admiração indignada: porra, Heath Ledger, overdose…


Sobre o Autor

Redator publicitário dos bons, cronista refinado, articulista sagaz e escritor com rara e aguçada percepção da realidade, Marcio R. Castro é, acima de tudo, modesto (ou um narcisista com sérios problemas psiquiátricos, dependendo do ponto de vista). Insiste em falar para os filhos, Clara e Heitor, que já viajou para o espaço e conheceu um alienígena chamado Sperk. Eles não acreditam.



One Response to A risada insana ressurge: como teria sido?

  1. Marcel says:

    As coisas evoluem, mas difícil será ver um Coringa melhor que o referido

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